Moradores de Alfenas pedem abertura de comissões na Câmara após fala considerada racista de vereadora
29/01/2026
(Foto: Reprodução) Moradores de Alfenas denunciam vereadora por falas consideradas racistas
Moradores de Alfenas (MG) protocolaram pedidos de abertura de uma comissão ética e de uma comissão processante na Câmara Municipal após declarações feitas pela vereadora Maria Hidalina (PL) durante uma manifestação no último domingo, na Praça Getúlio Vargas. A fala da parlamentar foi classificada como de teor racista por instituições e cidadãos da cidade.
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Durante o discurso, a vereadora afirmou: “Nós temos um poder na nossa nação, nas nossas mãos, porque o nosso Brasil é um Brasil de cristãos (...). É um Brasil cristão, é um Brasil de 'povo bran...', povo brasileiro, que tem desejo de ser melhor (...).”
A assessoria da vereadora declarou que houve um erro de fala e que Maria Hidalina pretendia dizer “povos brasileiros” ou “povo brasileiro”, mas acabou pronunciando “povo ‘bran’”, corrigindo logo em seguida. Disse ainda que “não houve intenção racista” e que o trecho “de fato acontece, mas foi uma falha de conexão na fala”.
Moradores de Alfenas pedem abertura de comissões na Câmara após fala considerada racista de vereadora
Reprodução EPTV
Instituições e prefeitura repudiam a fala
A Prefeitura de Alfenas, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial, divulgou nota de repúdio. O documento afirma que a declaração da vereadora “fere direitos constitucionais da comunidade negra” e desrespeita a laicidade do Estado, prevista na Constituição Federal.
A coordenadora da pasta, Camila Leles, afirmou que o vídeo foi analisado e que “havia falas de cunho racista e que feriam a laicidade do país”.
“Nós vamos continuar acompanhando o caso. Se houver abertura da comissão, estaremos presentes para dar respaldo e garantir que a lei seja aplicada. As falas prejudicaram muito a comunidade negra. Estamos lutando por justiça e reparo, e tudo tem sido tratado como ‘mimimi’. Só quem passa sabe o que sente", afirmou.
O morador Rodrigo Miquelino, que é historiador, entrou com um pedido de abertura de comissão ética por quebra de decoro parlamentar. Ele afirmou que a fala da vereadora ultrapassa o limite da liberdade de expressão:
“É inadmissível que uma autoridade eleita faça declarações que violam direitos humanos. Ao dizer que o Brasil é um país de ‘povo branco’ e associar isso a uma identidade religiosa, apaga a história dos povos negros e indígenas.”
Câmara Municipal de Alfenas
Divulgação / Câmara de Alfenas
O COMPIRA (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial), composto por membros da sociedade civil e do poder público, protocolou um pedido de comissão processante.
“A fala gera violência simbólica. Trata de não pertencimento de pessoas negras, quilombolas e indígenas. Não buscamos punição, mas educação. Esse tipo de episódio legitima bullying, violência e racismo cotidiano.”
O que diz a vereadora
Em nota, a vereadora Maria Hidalina declarou que não teve intenção de ofender nenhum grupo. A parlamentar disse estar aberta ao diálogo e reafirmou compromisso com a população.
“Quando mencionei aspectos históricos e culturais do nosso país, minha intenção foi fazer referência à formação histórica do Brasil, que recebeu influências diversas, inclusive cristãs, sem negar nossa diversidade. Reconheço que a forma como a fala foi apresentada pode ter causado desconforto ou dor. Lamento sinceramente se feri alguém. Isso não reflete meus valores.”
A Câmara Municipal também divulgou nota afirmando que considera o letramento racial e a liberdade religiosa essenciais para promover respeito, igualdade e convivência democrática.
A previsão é que a mesa diretora avalie os protocolos na segunda-feira. O caso segue em acompanhamento.
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